Cheguei em Sampa na terça. Diferentemente das outras vezes, eu não estava entusiasmada. Pela primeira vez, eu cheguei em São Paulo querendo ir embora de São Paulo. O motivo? Não sei. Só sei que foi assim.

Desci na rodoviária e uma voz do além disse “não obstrua as escadas rolantes”. Ok. Quando eu andava em direção a bilheteria do metrô, outra voz do além disse “utilize moedas para comprar seus bilhetes”. Ok. Dei dois passos na enorme fila e a mesma voz do além disse “economize filas, compre mais de um bilhete por vez”. OK!. Comprei o bilhete, finalmente, e me dirigi ao embarque. A voz do além disse “não ultrapasse a linha amarela, evite acidentes”. Ok. Entrei no metrô e outra voz do além, que parecia ainda mais distante disse “não obstrua as portas, utilize o corredor”. Absolutamente NINGUÉM se mexeu. Ok, nem eu. Em seguida a voz disse “não segure as portas do trem, a maioria dos atrasos acontecem porque as pessoas seguram as portas do trem”. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Foucault me proteja! Céus, o que está acontecendo com esse mundo? Ou melhor – com essa cidade? Ou, melhor ainda: o que está acontecendo comigo? Sim, porque eu ouço isso desde a primeira vez que vim a SP, mas somente desta vez eu fiquei incomodada. Tive vontade de fugir, de voltar para o ônibus e viajar até minha cama, quentinha, protegida, confortável.



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