A taxista vinha falando de como é chato fazer tudo certinho, usar roupa engomadinha, seguir a trilha, o plano, o manual.  Era do tipo que pintava e bordava, parecia. Ousada, costurava.

Agora é definitivo. Junto com as últimas peças de roupa, vieram os livos, cds e dvds. Veio eu inteira, finalmente, de mala e unhas vermelhas.

A mala pesada não era fardo, pelo contrário: liberdade.


Cheguei em Sampa na terça. Diferentemente das outras vezes, eu não estava entusiasmada. Pela primeira vez, eu cheguei em São Paulo querendo ir embora de São Paulo. O motivo? Não sei. Só sei que foi assim.

Desci na rodoviária e uma voz do além disse “não obstrua as escadas rolantes”. Ok. Quando eu andava em direção a bilheteria do metrô, outra voz do além disse “utilize moedas para comprar seus bilhetes”. Ok. Dei dois passos na enorme fila e a mesma voz do além disse “economize filas, compre mais de um bilhete por vez”. OK!. Comprei o bilhete, finalmente, e me dirigi ao embarque. A voz do além disse “não ultrapasse a linha amarela, evite acidentes”. Ok. Entrei no metrô e outra voz do além, que parecia ainda mais distante disse “não obstrua as portas, utilize o corredor”. Absolutamente NINGUÉM se mexeu. Ok, nem eu. Em seguida a voz disse “não segure as portas do trem, a maioria dos atrasos acontecem porque as pessoas seguram as portas do trem”. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Foucault me proteja! Céus, o que está acontecendo com esse mundo? Ou melhor – com essa cidade? Ou, melhor ainda: o que está acontecendo comigo? Sim, porque eu ouço isso desde a primeira vez que vim a SP, mas somente desta vez eu fiquei incomodada. Tive vontade de fugir, de voltar para o ônibus e viajar até minha cama, quentinha, protegida, confortável.


Pra quem gosta de campanhas publicitárias, este é um exemplo interessante. Recebi via mailing da Y&R, que presta assessoria gratuita para a Santa Casa de São Paulo. O que se quer “vender”, nesse caso, é a idéia de solidariedade, o que é bem interessante. Continue reading ‘Doação de órgãos’


Grrrrrr

21Ago08

Não quero ter ex nunca mais nessa vida.

Com as que eu tenho, aprendi que a unidade da distância deve ser vida. Exemplo: há 3 vidas, eu tive uma ex que hoje não incomoda mais.

Grrrrrr


Deve ser a lua cheia se aproximando. Estou a flor da pele e me descontrolo.

Não coincide com o meu melhor momento. Último semestre, tcc eminente, euforia, ansiedade, baixas, euforia de novo, ansiedade de novo e assim vai. Estou a mil, totalmente fora do meu ritmo. E eu só queria um colo.

Será que agosto passa? E setembro e outubro e novembro?


Ela diz que eu deveria ficar feliz por ela estar bem. Eu digo que sim, mas é estranho. Estou mal acostumada, foram 6 meses de lua de mel. Depois que ela foi embora, voltei pra mesma rotina, mesma cidade, amigos distantes, mil desafios, fantasmas e mosntros e nenhum colo. Ela diz pra eu ficar bem. Eu garanto que sim, mas ambas percebem que não.

Euforia, ansiedade, baixas. Euforia de novo, ansiedade de novo e assim vai. Tô a mil, e isso é muito fora do meu ritmo. Deve ser a lua.

O tempo já passa. 100 horas e pronto. Será só a primeira quinzena? Ela parece tão bem sem mim. Diz que sente falta, mas está bem. Eu acho bom, mas acho ruim. Será que agosto passa? E setembro e outubro e novembro? Eu tinha/tenho uma vida minha. E quero tanto essa vida nossa! Cada coisa a seu tempo. Agora, eu preciso dormir. Amanhã serão algumas horas a menos.


Essa coisa de democracia dá dor de cabeça, às vezes.


Nota mental

17Jul08

É  enlouquecedor trabalhar numa empresa sem RH. Tenho que resolver tudo com o publicitário!

=O


Ou “Ode ao bom português”

Podem me chamar de romântica ou o que for, mas eu não abro mão de textos bem escritos, claros, com pontuação correta, léxico vasto, essas coisas que fazem a gente gozar lendo. E digo mais: texto publicado é que em c* de bêbado. Tem que ensaiar o desapego. Pronto, falei.


Let it be.

24Fev08

Há dois anos as coisas eram exatamente como são hoje. Ou ao contrário, não sei. É um problema de involução. Não-evolução seria elogio aqui. Remédios controlados e uma mãe que diz: não deixem minha filha beber. Criança travessa, que merece palmadas e afagos: amor a orientação. Ou apenas um abraço.

É tarde, entretanto. Não é vida estragada, como eu pensava. É lapidada sem cuidado e com a determinação e a garra cega de quem não sabe o que está fazendo. Na falta de perspectiva, a perspectiva de ter perspectiva já é TER bastante. Vês nisso o tesão da vida?

Me entristeço. Um segundo e passa. Não é digno. Circo de horrores, let it be.

Pobres adolescentes, envelheci antes do tempo. E acho que as coisas demoram demais.

O defeito é ter paciência.

Meses depois, as coisas são como eram. Porque certas coisas nunca mudam (TM). Ingenuidade é ter esperança, ação passiva. Adrenalina em cadáver é burrice. Cadê?

Let it be, let it be, let it be.

As nuvens dão lugar ao céu limpo, claro e azul. O horizonte se faz nítido. Deixo a roupas pelo caminho. Tufos de cabelo dispersam com o vento, mal cortados. Palavras, água, maremoto e calmaria. Inconstância constante.

Pelo menos não dói mais.




pitacos

noutrora